quarta-feira, 11 de março de 2009

8 de Marco

Dispenco Essa Rosa!

por Marjorie Rodrigues

*Autoria: Marjorie Rodrigues <http://marjorierodrigues.wordpress.com/> /
Organização: Comunidade Feminismo e
Libertação<http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=26646467>/
Saiba
mais sobre a campanha. <http://pixelporpixel.wordpress.com/about/>*

dispense

Dia 8 de março seria um dia como qualquer outro, não fosse pela rosa e os parabéns. Toda mulher sabe como é. Ao chegar ao trabalho e dar bom dia aos colegas, algum deles vai soltar: ”parabéns”.

Por alguns segundos, a gente tenta entender por que raios estamos recebendo parabéns se não é nosso aniversário (exceção, claro, à minoria que, de fato, faz aniversário neste dia). Depois de ficar com cara de bestas, num estalo a gente se lembra da data, dá um sorriso amarelo e responde “obrigada”, pensando: “mas por que eu deveria receber parabéns por ser mulher?”.

Mais tarde, chega um funcionário distribuindo rosas. Novamente, sorriso amarelo e obrigada. É assim todos os anos. Quando não é no trabalho, é em alguma loja. Quando não é numa loja, é no supermercado. Todos os anos, todo 8 de março: é sempre a maldita rosa.

Dizem que a rosa simboliza a “feminilidade”, a delicadeza. É a mesma metáfora que usam para coibir nossa sexualidade — da supervalorização da virgindidade é que saiu o verbo “deflorar” (como se o homem, ao romper o hímen de uma mulher, arrancasse a flor do solo, tomando-a para si e condenando-a – afinal, depois de arrancada da terra, a flor está fadada à morte). É da metáfora da flor, portanto, que vem a idéia de que mulheres sexualmente ativas são “putas”, inferiores, menos respeitáveis.

A delicadeza da flor também é sua fraqueza. Qualquer movimento mais brusco lhe arranca as pétalas. Dizem o mesmo de nós: que somos o “sexo frágil” e que, por isso, devemos ser protegidas. Mas protegidas do quê? De quem? A julgar pelo número de estupros, precisamos de proteção contra os homens. Ah, mas os homens que estupram são psicopatas, dizem. São loucos. Não é com estes homens que nós namoramos e casamos, não é a eles que confiamos a tarefa de nos proteger. Mas, bem, segundo pesquisa Ibope/Instituto Patricia Galvão, 51% dos brasileiros dizem conhecer alguma mulher que é agredida por seu parceiro. No resto do mundo, em 40 a 70 por cento dos assassinatos de mulheres, o autor é o próprio marido ou companheiro.Este tipo de crime também aparece com frequência na mídia. No entanto, são tratados como crimes “passionais” – o que dá a errônea impressão de que homens e mulheres os cometem com a mesma frequência, já que a paixão é algo que acomete ambos os sexos. Tratam os homens autores destes crimes como “românticos” exagerados, príncipes encantados que foram longe demais. No entanto, são as mulheres as neuróticas nos filmes e novelas. São elas que “amam demais”, não os homens.

Mas a rosa também tem espinhos, o que a torna ainda mais simbólica dos mitos que o patriarcado atribuiu às mulheres. Somos ardilosas, traiçoeiras, manipuladoras, castradoras. Nós é que fomos nos meter com a serpente e tiramos o pobre Adão do paraíso (como se Eva lhe tivesse enfiado a maçã goela abaixo, como se ele não a tivesse comido de livre e espontânea vontade). Várias culturas têm a lenda da vagina dentata. Em Hollywood, as mulheres usam a “sedução” para prejudicar os homens e conseguir o que querem. Nos intervalos do canal Sony, os machos são de “respeito” e as mulheres têm “mentes perigosas”. A mensagem subliminar é: “cuidado, meninos, as mulheres são o capeta disfarçado”. E, foi com medo do capeta que a sociedade, ao longo dos séculos, prendeu as mulheres dentro de casa. Como se isso não fosse suficiente, limitaram seus movimentos com espartilhos, sapatos minúsculos (na China), saltos altos. Impediram-na que estudasse, que trabalhasse, que tivesse vida própria. Ela era uma propriedade do pai, depois do marido. Tinha sempre de estar sob a tutela de alguém, senão sua “mente perigosa” causaria coisas terríveis.

Mas dizem que a rosa serve para mostrar que, hoje, nos valorizam. Hoje, sim. Vivemos num mundo “pós-feminista” afinal. Todas essas discriminações acabaram! As mulheres votam e trabalham! Não há mais nada para conquistar! Será mesmo? Nos últimos anos, as diferenças salariais entre homens e mulheres (que seguem as mesmas profissões) têm crescido no Brasil, em vez de diminuir. Nos centros urbanos, onde a estrutura ocupacional é mais complexa, a disparidade tende a ser pior. Considerando que recebo menos para desempenhar o mesmo serviço, não parece irônico que o meu colega de trabalho me dê os parabéns por ser mulher?

Dizem que a rosa é um sinal de reconhecimento das nossas capacidades. Mas, no ranking de igualdade política do Fórum Econômico Mundial de 2008, o Brasil está em 10oº lugar entre 130 países. As mulheres têm 11% dos cargos ministeriais e 9% dos assentos no Congresso — onde, das 513 cadeiras, apenas 46 são ocupadas por elas. Do total de prefeitos eleitos no ano passado, apenas 9,08% são mulheres. E nós somos 52% da população.

A rosa também simboliza beleza. Ah, o sexo belo. Mas é só passar em frente a uma banca de revistas para descobrir que é exatamente o contrário. Você nunca está bonita o suficiente, bobinha. Não pode ser feliz enquanto não emagrecer. Não pode envelhecer. Não pode ter celulite (embora até bebês tenham furinhos na bunda). Você só terá valor quando for igual a uma modelo de 18 anos (as modelos têm 17 ou 18 anos até quando a propaganda é de creme rejuvenescedor…). Mas mesmo ela não é perfeita: tem de ser photoshopada. Sua pele é alterada a ponto de parecer de plástico: ela não tem espinhas nem estrias nem olheiras nem cicatrizes nem hematomas, nenhuma dessas coisas que a gente tem quando vive. Ela sorri, mas não tem linhas ao lado da boca. Faz cara de brava, mas sua testa não se franze. É magérrima (às vezes, anoréxica), mas não tem nenhum osso saltando. É a beleza impossível, mas você deve persegui-la mesmo assim, se quiser ser “feminina”. Porque, sim, feminilidade é isso: é “se cuidar”. Você não pode relaxar. Não pode se abandonar (em inglês, a expressão usada é exatamente esta: “let yourself go”). Usar uma porrada de cosméticos e fazer plásticas é a maneira (a única maneira, segundo os publicitários) de mostrar a si mesma e aos outros que você se ama. “Você se ama? Então corrija-se”. Por mais contraditória que pareça, é esta a mensagem.

Todo dia 8 de março, nos dão uma rosa como sinal de respeito. No entanto, a misoginia está em toda parte. Os anúncios e ensaios de moda glamurizam a violência contra a mulher. Nas propagandas de cerveja e programas humorísticos, as mulheres são bundas ambulantes, meros objetos sexuais. A pornografia mainstream (feita pela Hollywood pornô, uma indústira multibilionária) tem cada vez mais cenas de violência, estupro e simulação de atos sexuais feitos contra a vontade da mulher. Nos videogames, ganha pontos quem atropelar prostitutas.

Todo dia 8 de março, volto para casa e vejo um monte de mulheres com rosas vermelhas na mão, no metrô. É um sinal de cavalheirismo, dizem. Mas, no mesmo metrô, muitas mulheres são encoxadas todos os dias. Tanto que o Rio criou um vagão exclusivo para as mulheres, para que elas fujam de quem as assedia. Pois é, eles não punem os responsáveis. Acham difícil. Preferem isolar as vítimas. Enquanto não combatermos a idéia de que as mulheres que andam sozinhas por aí são “convidativas”, propriedade pública, isso nunca vai deixar de existir. Enquanto acharem que cantar uma mulher na rua é elogio , isso nunca vai deixar de existir. Atualmente, a propaganda da NET mostra um pinguim (?) dizendo “ê lá em casa” para uma enfermeira. Em outro comercial, o russo garoto-propaganda puxa três mulheres para perto de si, para que os telespectadores entendam que o “combo” da NET engloba três serviços. Aparentemente, temos de rir disso. Aparentemente, isso ajuda a vender TV por assinatura. Muito provavelmente, os publicitários criadores desta peça não sabem o que é andar pela rua sem ser interrompida por um completo desconhecido ameaçando “chupá-la todinha”.

Então, dá licença, mas eu dispenso esta rosa. Não preciso dela. Não a aceito. Não me sinto elogiada com ela. Não quero rosas. Eu quero igualdade de salários, mais representação política, mais respeito, menos violência e menos amarras. Eu quero, de fato, ser igual na sociedade. Eu quero, de fato, caminhar em direção a um mundo em que o feminismo não seja mais necessário.

…Enquanto isso não acontecer, meu querido, enfia esta rosa no dignissímo senhor seu cu.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

NO al veto de Tabaré!!!

*Depois de aprovado no senado e na câmera de deputadxs a lei que despenalizava o aborto no Uruguai foi vetada pelo presidente Tabaré Vázquez. Além de ter passado pelas duas instancias institucionais a questão da descriminalização passou por uma consulta de opinião popular, em que mais de 60% dxs consultadxs se posicionarão a favor da lei.. aí vem um presidente sem noção e subordina todo um processo a suas convicções pessoais.. Sr. presidente, o que meu corpo tem a ver com a m%$# da sua religião????????? Movimentos sociais estão se articulando e fizeram já algumas manifestações contra o veto.. Pra mais informações você pode conferir o Indymedia Uruguay: http://uruguay.indymedia.org/ - que foi da onde a gente tirou esse texto que segue e as fotos das primeiras marchas. Ou! Se você tiver algum texto, notícia melhor sobre o que rolou manda pra gente publicar aqui!!! ( gafe(a)lists.riseup.net ) Soliedariedade aos movimentos uruguaios! Que acabe a intervenção aleatória do Estado sobre nossos corpos!!!


Aunque el Presidente Tabaré Vázquez porfiadamente ha anunciado su intención de vetar la ley que despenaliza el aborto, debe tomar en cuenta la aprobación en las Cámaras y el 60% de apoyo popular.
El martes 11 de noviembre de 2008, el Senado uruguayo finalmente aprobó el Proyecto de Ley de Defensa de la Salud Sexual y Reproductiva, por 17 votos de un total de 30. El Poder Ejecutivo, a partir de esta aprobación, tiene 10 días para firmar la promulgación de la ley, o para vetarla.

Aunque el Presidente Tabaré Vázquez porfiadamente ha anunciado, incluso desde que asumiera el poder, su intención de vetar cualquier ley que intente despenalizar el aborto, el peso simbólico y real que implica su aprobación tanto en Diputados como en el Senado, más el abrumador apoyo ciudadano de más de un 60% a favor del proyecto, sin duda son elementos que debieran influir en un país que se reconoce respetuoso de la voluntad popular.

Y así debe entenderlo Tabaré Vázquez, ya que gobierna para todas las uruguayas y uruguayos, no para estar en paz con sus convicciones personales. Ni tampoco para escuchar las amenazas ni diatribas de las jerarquías eclesiásticas que atentan contra la plena vigencia del Estado laico.

Esta emblemática ley, cuya tramitación lleva ya largo tiempo, ofrece respuestas concretas y coherentes respecto de las demandas en salud sexual y reproductiva de mujeres y hombres, y hace visible la existencia de un territorio de derechos, de autonomías y de libertad, cual es el ámbito de la sexualidad y la reproducción. Y es así como aprueba la despenalización del aborto a demanda de la mujer, hasta las 12 semanas de gestación, reconociendo a las mujeres, sin distinción de clase social, como sujetas de derecho y como entes morales responsables de las decisiones que adoptan sobre su maternidad. Pero no solo habla sobre la interrupción voluntaria del embarazo, sino que establece una serie de medidas para garantizar la promoción y protección de la salud sexual y
reproductiva de todas y todos.

Uruguay se constituye, así, en un ejemplo de democracia, en un ejemplo de acción política impulsada por distintos sectores de la sociedad civil –mujeres, proveedores y profesionales de la salud, representantes de la academia, estudiantes, trabajadoras y trabajadores, sectores de iglesia de base, parlamentarias y parlamentarios, medios de comunicación– para la defensa y promoción de derechos que hasta ahora son muy difíciles de concretar en la vida cotidiana: los derechos humanos sexuales y reproductivos.
La Red de Salud de las Mujeres Latinoamericanas y del Caribe, RSMLAC, por lo tanto, se une al regocijo que recorre a esta región, a las mujeres y hombres que hoy celebran en las calles del Uruguay, y se une también a la decisión cada vez más fortalecida de las organizaciones de mujeres y personas que en otros países continúan luchando decididamente, incluso con riesgo de su integridad personal, por urgentes cambios legislativos y por políticas públicas que hagan posible una verdadera justicia social y de género.

A su vez, los movimientos de mujeres organizadas, apoyan esta lucha de las hermanas uruguayas y solicitan la adhesión de hombres y mujeres, organizaciones políticas y sociales, grupos de diversidad sexual, compañeros y compañeras que hagan suyos estos conceptos.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Aprovada descriminalização do aborto no Uruguai

*matéria publicada em: http://www.bonde.com.br/bonde.php?id_bonde=1-34-3-10-20081106

Após mais de doze horas de sessão, a Câmara dos Deputados do Uruguai aprovou, por 49 votos a 48, o projeto de lei que descriminaliza o aborto até a décima segunda semana de gravidez.

O texto ainda precisa ser aprovado pelo Senado. Se a lei chegar a ser realidade, o Uruguai será pioneiro da iniciativa na América do Sul, como contaram especialistas argentinos.

O presidente do país, Tabaré Vázquez, já disse que vetará o projeto, que surgiu de parlamentares da coalizão governista, Frente Ampla, que tem maioria na Câmara e no Senado.

Se Vázquez vetar a medida como promete, deputados e senadores precisarão de três quintos dos votos em cada casa legislativa para derrubar o veto e implementar a lei – número considerado hoje difícil.

Ameaça da Igreja

A chamada Lei de Saúde Sexual e Reprodutiva, que inclui a descriminalização do aborto, vem sendo defendida há pelo menos quatro anos por setores políticos e sociais no país.

Desta vez, pouco antes da votação na Câmara, o arcebispo da Igreja Católica em Montevidéu, Nicolás Cotugno, disse que iria "excomungar" os legisladores que votassem a favor da medida.

Manifestantes contra e a favor da medida realizaram protestos do lado de fora da Câmara, e uma ameaça de bomba obrigou que o prédio fosse evacuado.

O deputado e médico Luis Gallo, da Frente Ampla, disse à BBC Brasil que a lei que penaliza as mulheres que praticam o aborto tem 80 anos e prevê processo com prisão de entre três e seis anos.

"O Uruguai é o país da América Latina com maior número de mortes por aborto e o aborto é, ao mesmo tempo, a primeira causa de morte na gravidez no país", disse.

"Temos estimativas mostrando que ocorrem cerca de 33 mil abortos por ano no país. E que somente 0,04% desse total viram processo. Ou seja, a lei em si é uma tragédia e para que existe, se não é aplicada?"

Pioneiro

Em outros países da América do Sul, como Argentina, o aborto está previsto no código penal e só é permitido em casos de estupro ou em que a mãe corra risco de morte.

Tradicionalmente, o Uruguai é um pioneiro sul-americano na adoção de leis liberais na área social. O país foi o primeiro a permitir o divórcio e a separar a Igreja Católica do poder do Estado, que é laico.

No ano passado, o governo de Vázquez começou a implementar, como contou Gallo, a educação sexual nas escolas. Também foi aprovado nesta gestão o casamento entre homossexuais.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Um pouco de Lima Barreto*

(*)Os dois techos que seguem foram publicados em 1915 em "Vida Urbana". Lima Barreto nasceu em 1881 no Rio de Janeiro, foi jornalista e um dos mais importantes escritores brasileiros. Nas suas obras aparecem os pobres, boemios, arruinados, explorados e no caso dos dois trechos abaixo, as mulheres em duas situações em que seus direitos aparecem violados (criminalização do aborto e violencia de gênero). Crítico a roupagem alegórica da república, encarava a literatura como meio militante e o escritor como ator político. Seu estilo coloquial foi alvo de crítica dos parnasianos da época e inspitação para os escritores modernos. Lima Barreto tinha grandes afinidades com o pensamento anarquista e publicava seus textos na impresa de esquerda da época. Morreu em 1922 com 41 anos.


A LEI

Este caso da parteira merece sérias reflexões que tendem a interrogar sobre a serventia da lei.

Uma senhora, separada do marido, muito naturalmente quer conservar em sua companhia a filha; e muito naturalmente também não quer viver isolada e cede, por isto ou aquilo, a uma inclinação amorosa.

O caso se complica com uma gravidez e para que a lei, baseada em uma moral que já se findou, não lhe tire a filha, procura uma conhecida, sua amiga, a fim de provocar um aborto de forma a não se comprometer.

Vê-se bem que na intromissão da "curiosa" não houve nenhuma espécie de interesse subalterno, não foi questão de dinheiro. O que houve foi simplesmente camaradagem, amizade, vontade de servir a uma amiga, de livrá-la de uma ter­rível situação.

Aos olhos de todos, é um ato digno, porque, mais do que o amor, a amizade se impõe.

Acontece que a sua intervenção foi desastrosa e lá vem a lei, os regulamentos, a polícia, os inquéritos, os peritos, a faculdade e berram: você é uma criminosa! você quis impe­dir que nascesse mais um homem para aborrecer-se com a vida!

Berram e levam a pobre mulher para os autos, para a justiça, para a chicana, para os depoimentos, para essa via-sacra da justiça, que talvez o próprio Cristo não percorresse com resignação.

A parteira, mulher humilde, temerosa das leis, que não conhecia, amedrontada com a prisão, onde nunca esperava parar, mata-se.

Reflitamos, agora; não é estúpida a lei que, para proteger uma vida provável, sacrifica duas? Sim, duas porque a ou­tra procurou a morte para que a lei não lhe tirasse a filha. De que vale a lei?


NÃO AS MATEM

Esse rapaz que, em Deodoro, quis matar a ex-noiva e suicidou-se em seguida, é um sintoma da revivescência de um sentimento que parecia ter morrido no coração dos homens: o domínio, quand même, sobre a mulher.

O caso não é único. Não há muito tempo, em dias de carnaval, um rapaz atirou sobre a ex-noiva, lá pelas bandas do Estácio, matando-se em seguida. A moça com a bala na espinha, veio morrer, dias após, entre sofrimentos atrozes.

Um outro, também, pelo carnaval, ali pelas bandas do ex-futuro Hotel Monumental, que substituiu com montões de pedras o vetusto Convento da Ajuda, alvejou a sua ex-noiva e matou-a.

Todos esses senhores parece que não sabem o que é a vontade dos outros.

Eles se julgam com o direito de impor o seu amor ou o seu desejo a quem não os quer. Não sei se se julgam muito diferentes dos ladrões à mão armada; mas o certo é que estes não nos arrebatam senão o dinheiro, enquanto esses tais noivos assassinos querem tudo que é de mais sagrado em outro ente, de pistola na mão.

O ladrão ainda nos deixa com vida, se lhe passamos o dinheiro; os tais passionais, porém, nem estabelecem a alternativa: a bolsa ou a vida. Eles, não; matam logo.

Nós já tínhamos os maridos que matavam as esposas adúlteras; agora temos os noivos que matam as ex-noivas.

De resto, semelhantes cidadãos são idiotas. É de supor que, quem quer casar, deseje que a sua futura mulher venha para o tálamo conjugal com a máxima liberdade, com a melhor boa-vontade, sem coação de espécie alguma, com ardor até, com ânsia e grandes desejos; como e então que se castigam as moças que confessam não sentir mais pelos namorados amor ou coisa equivalente?

Todas as considerações que se possam fazer, tendentes a convencer os homens de que eles não têm sobre as mulheres domínio outro que não aquele que venha da afeição, não devem ser desprezadas.

Esse obsoleto domínio à valentona, do homem sobre a mulher, é coisa tão horrorosa, que enche de indignação.

O esquecimento de que elas são, como todos nós, sujeitas, a influências várias que fazem flutuar as suas inclinações, as suas amizades, os seus gostos, os seus amores, é coisa tão estúpida, que, só entre selvagens deve ter existido.

Todos os experimentadores e observadores dos fatos morais têm mostrado a inanidade de generalizar a eternidade do amor.

Pode existir, existe, mas, excepcionalmente; e exigi-la nas leis ou a cano de revólver, é um absurdo tão grande como querer impedir que o sol varie a hora do seu nascimento.

Deixem as mulheres amar à vontade.

Não as matem, pelo amor de Deus!

terça-feira, 7 de outubro de 2008

"Sou Feliz, Descobri Meu Clitóris"


"Sou Feliz, Descobri Meu Clitóris"
Reflexões de Um Ano de Gafe

Esse mês a gente comemora um ano de Gafe. Um ano das primeiras reuniões, ações e evetos. Mas essa história vem bem de antes.. Já vem das meninas do Movimento Passe Livre que sentiam uma puta vontade de conversar sobre os papéis que a gente cumpre e que nos falam para ocupar na vida, baseados em critérios bem estranhos. E tinha também outros homens e outras mulheres por aí que de algum jeito tambem se sentiam indomodadxs com essa demarcação aleatória sobre nossos corpos. Foi dessa fusão, desse encontro, que nasceu nosso coletivo. Um coletivo cheio de dúvidas, de incertezas, de paixões, frustrações, mas principalmente de muitas vontades. A gente trazia individualmente a vontade de discutir, dividir, aprender, e principalmente mudar coisas tão delicadas, que por tantos anos nos passaram desapercebidas. Uma vontade imensa de romper mordaças, cadeados, cintos de castidade, correntes e vendas. Vontade de afirmar o diferente, questionar o que sempre esteve ali, parado como se não pudesse ser de outro jeito.
Nesse tempo todo tivemos consciencia do nosso tamanho. Nós sabemos que estamos engatinhando, que aina há muito o que aprender. Mas talvez, essa tenha sido a grande virtude do grupo: ser pequeno é aprender, e a gente aprende é na prática. Por todos esses meses foi isso que a gente buscou. Aplicar em ações concretas o pouco que a gente já sabia, dividir nossas dúvidas estimulando a confusão de quem pensa que já está esclarecidx, conversar com a cidade sob as maneiras mais diversas: pixações, marchas, cartazes, panfletos, rodas de discussão. Até aqui, essas foram as maneiras que a gente encontrou para colocar todas os gritos pra fora - tanto de os indiginação como os de incerteza.
Com ousadia nos demos o direito de declarar: estamos felizes, descobrimos nossos clitóris. Mas o que diabos queremos dizer com isso????
Os clitoris são descobertos quando afirmamos um prazer sexual que nos foi negado por tantos anos. Mais além, muito mais além, descobrir o clitóris é retomar nosso corpo antes moldado e expropriado pelos discursos dos técnicos, dos especialistas, dos médicos, dos académicos, dos cafetões, da família, do trabalho, das propagandas, da mídia, das cobranças, dos padrões, dos psiquiatras, da escola, do Estado, da igreja. É perceber esse roubo histórico e, apartir disso, buscar acabar com ele e retomar o que é nosso por direito.
Descobrir o clitóris é construir novas relações e expor a falência das velhas. É dar belos golpes contra o individulismo, o consumismo e o egoísmo, que comandam a maneira como nos relacionamos com todos os outros seres. É lutar contra as relações desiguais, de dominação, de submissão, de possesividade, e sob seus escombros edificar relacionamestos mais livres, igualitários, cheios de possibilidades de vivências, que não precisem seguir aqueles modelos falidos de rivalidade, de homofobia, de violência, de violações, de competição e preconceito.
Descobrir o clitóris é também retomar nossas identidades. Negar boa parte do que aprendemos a ser, a agir, a fazer. É lembrar que somos múltiplxs, fluídxs..que podemos ser um monte de coisas ao mesmo tempo para deixar de ser aquilo que desde pequenxs nos convenceram a ser. Descobrir as possibilidades, os jeitos tão diferentes que podemos encarar o que passa pela nossa frente.
Mais que tudo, é descobrir que as coisas podem ser de outro jeito...
É muita coisa! Talvez seja muita audácia mesmo a gente falar que já descobriu todos os clitoris possíveis!
Ainda falta muito, ainda há muitas coisa há ser destruida, coisas grandes e poderosas, esperando que coletivamente coloquemos umas bombas em suas bases.. Bombas e molotovs que virão da selva mexicana, da ilha de santa catarina, do altiplano boliviano, enfim, de todos os lados!
Vamos seguir trocando experiencias, conversando, escutando, agindo, destruindo o que tá imposto, construindo o novo!
Seguimos todxs procurando nossos clitóris rumo a um orgasmo coletivo!
Vulva la Revolucion! * outubro.2008

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Relato - Resistir Para Existir II

O que? Você perdeu o Resisitr II?
Nossa.. que vacilo hein? Mas tudo bem, você pode ler o relato de uma gafiana e descobrir como foi!
Mas vê se não faz isso de novo hein! Fica ligadx
!


RESISTIR PARA EXISTIR II

Depois da realização do Resistir para Existir I, em novembro de 2007 na Universidade Federal de Santa Catarina, o Grupo de Ação Feminista – GAFe, sentiu a necessidade de levar as discussões para a descontrução dos papéis de gênero para outros lugares de Florianópolis. O Resistir para Existir II aconteceu no dia 28 de setembro de 2008 no salão da capela São Sebastião no bairro do Campeche.

Mais uma vez o evento exigiu bastante colaboração d@s participantes. O dinheiro utilizado para o pagamento de cartazes, material e lanche foi conseqüência das vendas da camiseta e do brechó realizado pela GAFe nos meses anteriores.

A ajuda das moradoras do Campeche também foi fundamental. O espaço foi cedido com muita boa vontade e disposição. Achamos extremamente importante agradecer mais uma vez e demonstrar nossa felicidade pelo sucesso da realização dessa atividade.O espaço do salão da capela era bem grande, com várias cadeiras, cozinha, mesas e acomodou confortavelmente tod@s participantes. Além disso, ficava em um pracinha silenciosa com uma vista muito bonita para o mar.

O evento começou no domingo por volta das 15 horas e iniciou com a apresentação da ginecologista Maria Inês, já conhecida entre @s gafean@s por sua participação no Resistir para Existir I. Novamente, a Dra. Inês se mostrou muito competente no seu trabalho e capaz de adequar sua fala ao público do Campeche. Com maquetes do sistema reprodutor feminino e masculino, a médica mostrou o funcionamento dos corpos considerando as diferenças sexuais. Diversas dúvidas foram esclarecidas, como doenças masculinas e femininas, questões da primeira menstruação, vida sexual, menopausa e importância do diálogo entre os casais. Uma conversa espontânea aconteceu diversas vezes durante a apresentação e os resultados da atividade se mostraram imediatamente com as reflexões d@s participantes.
Após a atividade, a Dra. Inês foi muito elogiada por sua sutileza e domínio dos temas tratados. Esse cuidado da médica foi fundamental para que o assunto fluísse e não causasse nenhum tipo de má impressão n@s presentes.

Depois da oficina “Conhecendo Corpos” com a Dra. Inês, todo mundo foi aproveitar o lanchinho, com bolachas, frutas e café. Nesse momento, conhecemos quem eram as pessoas interessadas na GAFe e na atividade.
Retornamos com a exibição do curta metragem “Acorda, Raimundo acorda”. Este filme, com atores e atrizes conhecid@s, como Paulo Betti, Eliane Giardine e José Mayer, mostra uma troca de sexo entre o casal Raimundo e Marta. Situações de falta de dinheiro, conflitos familiares, trabalho doméstico, maternidade e machismo são explorados de maneira clara, e, em muitas vezes, cômica.

Após o filme diversas idéias foram expostas sobre os diferentes papéis sociais de homens e mulheres. Apesar de reconhecerem as exceções, muitas mulheres confirmaram que o machismo e a responsabilidade pelo trabalho doméstico são presentes no cotidiano da maioria das mulheres. Discutimos ainda a educação diferenciada para meninas e meninos e de como isso interfere no nosso futuro. Acredito que tod@s saíram dispost@s a lutar por uma relação mais igualitária no cotidiano, já que reconhecemos que estes papéis não são naturais, mas socialmente impostos.

Ainda exibimos o curta “Artigo Segundo” que aborda as diferentes formas de violência presente no nosso cotidiano. O filme também usa uma linguagem simples e representa como conversas e atitude aparentemente inocentes servem para reforçar o machismo.

Ficou claro entre as mulheres que temos participação ativa na perpetuação do machismo e que somos coniventes com vários discursos sexistas e preconceituosos. Após este filme, várias histórias e trajetórias de vida foram contadas e a diferente idade d@s participantes permitiu uma comparação entre os dias de hoje e décadas anteriores. O Resistir para Existir II terminou por volta das 19h30min.

Por fim, acho que o mais importante é que a atividade tenha ajudado a tod@s a buscar relações familiares, profissionais e cotidianas mais igualitárias, porque como foi falado na atividade, o feminismo não é o contrário do machismo, mas uma luta constante e árdua pela igualdade.

O GAFe agradece muito a boa vontade de tod@s @s participantes , da Dra. Inês, sempre ajudando o grupo, a Dona Jupira, moradora do Campeche, que participou da atividade e teve que dedicar todo seu domingo, a tod@s e tod@s da GAFe que ajudaram se estressando, dando caronas, tirando fotografias, carregando coisas e tudo mais. Valeu a tod@s!!!
MAIS FOTOS -> http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2008/09/429453.shtml

domingo, 28 de setembro de 2008

noticias - CMI













28 DE SETEMBRO: ABORTO NÃO É CRIME!

28 de Setembro marca a luta pró-escolha pela descriminalização e legalização do aborto na América Latina e Caribe.

Hoje, o aborto é livre e seguro na cidade do México, Guianas, Barbados, Cuba, nas Antilhas Francesas e em Porto Rico. No Uruguai, sua despenalização já foi aprovada pelo Senado, passando a lei de 'Saúde Sexual e Reprodutiva' agora para votação no Congresso. Na Colômbia, Bolívia, Argentina, Peru, Paraguai e Brasil a legislação considera apenas algumas excessões à lei que criminaliza o aborto, casos esses que precisam passar por muita burocracia e discriminação pelas instituições e agentes jurídicos e de saúde. Em El Salvador, Nicarágua, Chile, Honduras, na República Dominicana e em San Martín, o aborto é considerado crime em todos os casos.

Direitos Reprodutivos englobam, entre outras, as questões da fecundidade, sexualidade, reprodução, saúde, adoção e inseminação artificial. De sexta a domingo pessoas saem às ruas, em várias cidades, para exigir que nenhuma mulher vá para a cadeia ou responda processo criminal por ter realizado a interrupção de sua gravidez.

São Paulo: ato na praça Ramos de Azevedo, centro. Sexta 26 às 13:30h.

Brasília: ato na rodoviária do plano piloto. Sexta 26 às 16:30h.

Leia o manifesto

Artigos Relacionados:28 de setembro: Dia Latino Americano pela Legalização do Aborto | Aborto na América Latina | A situação do aborto na América Latina e no mundo | Direitos Sexuais e Reprodutivos: desafios para a cidadania | Pelo direito à escolha em casos de anencefalia | 26 de Setembro - Ato em solidariedade às mulheres condenadas por fazerem aborto

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JUSTIÇA PARA NOSSA IRMÃ MARCELLA SALI GRACE!

Ativista norte-americana é estuprada e morta em Oaxaca

Irmãos e irmãs

Nossos corações estão cheios de tristeza e raiva porque nossa irmã Sali foi estuprada e assassinada brutalmente a 20 minutos de San José del Pacífico e até o momento a procuradoria de Oaxaca, como é de costume, não está fazendo nada apesar de existirem testemunhas que fornecem indícios para identificar os responsáveis.

Marcella Sali Grace nasceu nos Estados Unidos, com um coração grande e solidário com as causas justas; tinha muitas amigas e amigos porque sempre estava disposta a ajudar, assim como com seus dotes de artista pintava uma manta ou uma parede, ou dançava sua dança árabe para conseguir fundos para a luta, ou fazia seus shows com bandas punks, ou dava seus cursos de defesa pessoal pessoal para mulheres pois conhecia muito bem como os homens as assediam. Essa era uma de suas lutas: para que as mulheres fossem livres e respeitadas. Sali estava tão comprometida com a luta que foi observadora internacional de irmãos e irmãs que estão sendo hosilizadas pelo mal governo de Ulises Ruiz Ortiz.

Desgraçadamente nesse 24 de setembro foi encontrado o corpo de uma mulher com as características físicas de Sali, em uma cabana desabitada a vinte minutos do povoado de San José del Pacífico, quando um habitante foi alimentar alguns cachorros que viviam ali, e lhe impressionou um odor fétido que provinha de tal cabana. Foi quando avisou às autoridades municipais. Foi feita a busca do corpo, que se encontrava já em decomposição; depois de tal empreitada, nenhuma informação mais foi dada à população.

No dia anterior foi dado um aviso à companheira Julieta Cruz (que tinha conhecimento que Sali se dirigia para tal lugar), que uma jovem estrangeira se encontrava no anfiteatro de Miahuatlán, para onde ela se dirigiu e reconheceu o corpo de Sali devido a suas tatuagens, já que seu rosto estava irreconhecível. A companheira supõe que devido a queimaduras (pois não se explica por que o resto do corpo tem danos visivelmente menores). Quanto pedimos o número do processo nos foi negado, assim como os resultados da necrópsia, argumentando que por não sermos familiares da pessoa não poderíamos ter acesso a nenhuma informação.

Leia a matéria completa.

Devido ao trabalho solidário com a luta popular do povo de Oaxaca, de outras lutas do mundo e contra o racismo na fronteira do México com os Estados Unidos, em diversas ocasiões e a diferentes pessoas, Sali comentou que em Oaxaca, datas recentes sofreu perseguição política e vigilância. Isto nos faz pensar que seu covarde assassinato tenha relação com a repressão generalizada aos movimentos sociais e dirigida particularmente a observadores/as internacionais. Por isso mesmo não descartamos que os mentores do crime sejam os mesmos que ordenam a repressão contra o povo de Oaxaca que luta por justiça e liberdade.

Frente a estes atos sangrentos, e pela brutal crueldade que fizeram à companheira Sali, não deixamos de lado que pode ser uma clara mensagem dirigida a todo o povo de Oaxaca, assim como aos companheiros solidários de diferentes partes do mundo; isto dizemos baseado nas recentes notícias que estão circulando a nível nacional e internacional, que 'os appistas que mataram o jornalista norte-americano Bradley Roland Will' e como não existe justiça em Oaxaca, nos preocupa a distorção da informação que poderia interferir na busca de uma verdadeira justiça para nossa companheira e a já evidente lentidão burocrática com que estão tratando o caso as autoridades atualmente implicadas na investigação.

Ante estes lamentáveis fatos EXIGIMOS:

Agilização imediata das investigações.

O esclarecimento imediato dos fatos.

Castigo a assassinos e mentores intelectuais.

Justiça para nossa irmã Marcella Sali Grace!

Basta de assassinatos, violência e ódio contra as mulheres que lutam por justiça!

Pedimos sua adesão (no endereço eletrônimo indicado) a essa exigência de justiça e para integrar as atividades urgentes para exigir o esclarecimento de tais covardes fatos.

rebeldiasentrelazadasNOSPAM@NOSPAMyahoo.com
Información: (01 951) 5178190 CIPO

Assinam:
Encuentro de Mujeres Oaxaqueñas "Compartiendo Voces de Esperanza"
Colectivo Mujer Nueva
Consejo Indígena Popular de Oaxaca Ricardo Flores Magón
Voces Oaxaqueñas Construyendo Autonomía y Libertad
Colectivo Tod@s Somos Pres@s
Encuentro de Jóvenes en el Movimiento Social Oaxaqueño

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Resistir Para Existir II


RESISTIR PARA EXISTIR II :: DOMINGO :: 28 de Setembro :: 15h :: CAMPECHE


Saudações!

Nesse domingo vai rolar a segunda edição do evento que a gente chamou de Resistir Para Existir. Ele aconteceu pela primeira vez ano passado e este ano vai ser lá na comunidade do Campeche.
O objetivo é criar um espaço de aprendizagem e troca de experiências sobre os temas relacionados ao nosso corpo, a sexualidade, nossos desejos e inibições, as relações desiguais entre homens e mulheres na sociedade, suas possibilidades de mudança e subversão! Os espaços de conversa como sempre vão acontecer de maneira bem solta, pra que a gente possa, a partir do compartilhamento de nossas experiências do dia a dia, pensar como se dão os mecanismos que nos abrem e fecham portas. Nós marcamos dias e horários, mas quem constrói o espaço são essencialmente aquelas pessoas que aparecem para escutar, aprender, falar, ensinar, enfim..estabelecer uma troca de informações e sensações. Por isso convidamos você para participar! O evento é de graça e aberto. Pode levar seu marido, esposa, namorada, filho, papagaio, cachorro, vizinha, colega da escola, avô, amigo, amante.. Enfim!! Tendo alguma vontade ou curiosidade é só chegar lá!


O QUE? Resistir Para Existir II

QUANDO? Domingo, 28 de Setembro a partir das 15h

ONDE? no Salão da Capela São Sebastião. No Campeche! (fica no final da rua capela são sebastião)

O QUE ESTÁ PROGRAMADO?

*Filmes + Conversa:
-Terra Fria
(um longa sobre o primeiro processo judicial de assédio sexual nos EUA)
-Acorda Raimundo Acorda
(um curta brasileiro sobre uma família onde os papéis do marido e da mulher estão trocados)

*Conhecendo Nossos Corpos
Essa é uma expedição essencial pelos corpos de homens e mulheres. Uma trilha emocionante (eu pelo menos achei..) guiada pela nossa amiga ginecologista, a Dra. Ines.


E PORQUE? Porque junt@s faremos de nossa existência uma arte de resistência!!!!

Quem convida é o Grupo de Ação Feminista (GAFe) de Floripa. Um grupo autônomo de homens e mulheres que promovem ações orientadas para a mudança entre as relações desiguais de gênero na nossa cidade. O nosso email é gafe@lists.riseup.net e o site é www.gafeminista.blogspot.com .

Até Lá!
GAFe - www.gafeminista.blogspot.com

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Pelo direito à escolha em casos de anencefalia

*artigo tirado do Centro de Mídia Independente -> CMI

Terça-feira 26, ocorre a primeira das audiências públicas que retomam a questão da anencefalia no Brasil. A anencefalia é a malformação na qual o feto apresenta ausência total ou parcial do encéfalo e da calota craniana, ou seja, não desenvolve o cérebro. Isso significa que fetos sob tal condição apresentam chances irrisórias de sobrevivência após partos muitas vezes difíceis, e quando nascem, possuem expectativa de uma vida vegetativa e de curtíssima duração. Situação dolorosa e fatal, que ainda se intensifica pelo fato de mulheres e famílias não poderem escolher qual a melhor maneira de vivenciá-la.

Em 1º de julho de 2004, o ministro Marco Aurélio Mello, foi relator da ação apresentada pela Confederação Nacional dos/as Trabalhadores/as na Saúde (CNTS), que recorria ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que as mulheres pudessem realizar uma antecipação terapêutica da gestação de fetos com anencefalia. Ainda que tivesse amplo respaldo da comunidade médica e científica, e nem mesmo quisesse tratar o tema como questão de aborto, tal ação foi fortemente perseguida e condenada por frentes da igreja.

Campanhas pró-escolha de várias partes estão à caminho das audiências para reivindicar o direito de que mulheres possam optar pela interrupção da gravidez de fetos anencéfalos. "Nenhuma mulher deve ser obrigada a interromper a gestação. Nenhuma mulher deve ser obrigada a manter a gestação de um feto que morrerá". Leia a programação abaixo, acompanhe o processo e assine a petição

Matéria Completa

Editoriais Relacionados:Direitos Sexuais e Reprodutivos: desafios para a cidadania | Nova ofensiva contra a luta pelo direito de decidir

Leia Mais
Programacao
terça-feira (26/8) 9h (STF)
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)
Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd)
Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família
organização não-governamental Católicas pelo Direito de Decidir
Associação Médico-Espírita do Brasil (AME).
quinta-feira (28/8) 9h (STF)
Conselho Federal de Medicina (CFM)
Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia
Sociedade Brasileira de Medicina Fetal
Sociedade Brasileira de Genética Clínica
Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência
quinta-feira (4/9) 9h (STF)
Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero (Anis)
Associação de Desenvolvimento da Família (Adef)
ONG Escola de Gente
Rede Nacional Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos