quinta-feira, 28 de maio de 2009

PicNic da GAFe - DOMINGO!


O QUE?
PicNic da GAFe para pensar o coletivo e planejar nossas próximas acoes.

QUANDO?
Esse domingo mesmo, dia 31. Vai ser às 15h...

ONDE?
Lá no Parque do Corrego Grande!

O QUE LEVAR?
Anseios, vontades, ideias e comida. Tudo a ser compartido.

.... e nos vemos!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Sexo contra sexo ou classe contra classe?


"Se nós mulheres integramos diferentes classes sociais em luta, por isso, não constituímos uma classe diferente,mas sim um grupo policlassista.
Mesmo assim, consideramos que a exploração e a opressão
se combinam de diversas maneiras. O pertencimento de classe
de um sujeito delimitará os contornos de sua opressão. Por
exemplo, ainda que a impossibilidade legal de exercer o direito
sobre o próprio corpo seja uniforme para muitas mulheres do
mundo no plano formal do corpus jurídico, não são equivalentes
- no plano do real - as práticas ilegais possíveis e suas previsíveis
conseqüências para quem tem acesso ao clandestino aborto
asséptico por posição econômica, social e até nível educativo, e
para quem deve morrer por hemorragias e infecções, vítimas de
uma ordem patriarcal com descarado rosto capitalista.
Ou seja, ainda que se possa afirmar que o conjunto das
mulheres padece de discriminações legais, educacionais,
culturais, políticas e econômicas, o certo é que existem evidentes
diferenças de classe entre elas que moldaram em forma
variável não só as vivências subjetivas da opressão, mas
também e, fundamentalmente, as possibilidades objetivas de
enfrentamento e superação parcial ou não destas condições
sociais de discriminação.
Se todas as mulheres são oprimidas pelo sistema patriarcal em vigor na quase totalidade das sociedades contemporâneas, não o são pelas mesmas razões, além do que, há oprimidas que oprimem e é importante ressaltar isto.Se não for pela questão de classe como se explica a opressão de gênero, enquanto Ivanna Trump se converte em uma empresária independente no mundo dos negócios, ou Hillary Clinton se senta no poderoso senado norte-americano, e por outro lado 60 milhões de meninas ainda não têm acesso à educação?Supor que somente por serem mulheres há algo que vincula Margareth Thatcher com as desempregadas inglesas, as empregadas domésticas da Argentina, ou as operárias mexicanas é, em última instância, cair no reducionismo biológico da ideologia patriarcal dominante que as mesmas feministas criticam seriamente. Falar de gênero assim, portanto, é fazeruso de uma categoria abstrata, vazia de sentido e impotente para a transformação que queremos levar adiante."


Andrea D´Atri - do livro Pão e Rosas"-

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Direitos Iguais para as Trabalhadoras Domésticas!


Artigo publicado pelo CFEMA - http://www.cfemea.org.br/noticias/detalhes.asp?IDNoticia=911

Mais um 27 de abril sem equiparação

Quando a Constituição Federal dá tratamento diferenciado para a maior categoria feminina, negra e empobrecida do país, é um sinal de que temos um problema de raça, gênero e classe para ser enfrentado pela sociedade brasileira.

Garantir alguns, mas não todos os direitos que são assegurados às demais categorias urbanas, torna o trabalho doméstico constitucionalmente discriminado, tratado como subtrabalho. Pesquisas apontam que essas atividades geram impacto no desenvolvimento dos índices econômicos do país, pois o exercício desse trabalho viabiliza e permite que outra parcela da população esteja em atividades diretas da produção economicamente reconhecida.

As medidas já adotadas pelos governos e Congresso não foram capazes de assegurar todos os direitos trabalhistas para milhões de trabalhadoras do setor. Garantir a equiparação dos direitos é enfrentar o patriarcado e o racismo. Como o CFEMEA tem apontado em suas análises sobre o trabalho doméstico, a desvalorização dessa atividade profissional está diretamente relacionada a quem o realiza (mulheres, na maioria das vezes negras), e ao tipo de trabalho que se faz (doméstico). Esse foi um trabalho destinado às mulheres como exercício de atividades “naturais” do sexo feminino. Sendo assim, é visto sem necessidade de ser remunerado (ou quando é pago, é mal pago), ou ainda, um trabalho cuja sociedade, governos e famílias não conferem qualquer valor contributivo para as riquezas do país.

Assim, falar sobre direitos sociais para uma profissão essencialmente feminina, negra, com baixa escolaridade e pobre e que se realiza na esfera do mundo privado, não é tarefa fácil. Mas é necessária como uma proposta de reparação histórica!

Por essa razão, os movimentos de mulheres e as organizações das próprias trabalhadoras (reunidas na FENATRAD- Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas) reivindicam que tanto o Projeto de Lei 1626/1989, de autoria da ex-senadora Benedita da Silva - oriunda da categoria de domésticas – e que está na Pauta para votação final pela Câmara dos Deputados desde fevereiro de 2007. E mais: que os direitos integrais sejam assegurados no texto da Constituição, fazendo tramitar uma Proposta de Emenda Constitucional capaz de garantir todos os direitos concedidos @s demais trabalhador@s brasileir@s, resolvendo a equiparação do trabalho doméstico, mesmo 20 anos depois.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

(WENDO) Entrevista com Trude Menrath!



A instrutora de WenDo alemã, Trude Menrath, acredita que esta técnica de auto defesa é um dos caminhos eficazes que as mulheres podem encontrar para combater a violência que sofrem no dia-a-dia. WenDo, que significa “caminho das mulheres” surgiu no Canadá nos anos 70 desenvolvido por uma família que treinava artes marciais e que souberam que sua vizinha tinha sido agredida e morta pelo marido dela, sem chances de defesa. Por isto, eles/elas decidiram criar técnicas e estratégicas, fáceis e seguras, de serem aplicadas por mulheres e meninas quando estas fossem vítimas de alguma violência, em casa ou nas ruas. A partir daí, o WenDo começou a ser difundido por diversos países, entre eles, o Brasil que hoje conta com cinco grupos nas cidades de Curitiba, Salvador, São Paulo, João Pessoa, e mais recentemente, em Brasília.

Trude Menrath é uma das mulheres responsáveis por esta difusão. Sempre que possível ela vem ao Brasil para poder acompanhar o desenvolvimento do WenDo no país e poder colaborar para que cada vez mais outras mulheres tenham acesso a ele. Foi assim que ela chegou em João Pessoa e realizou uma oficina de uma semana com as mulheres do grupo de WenDo desta cidade. Aproveitando sua passagem pela terrinha, fiz esta pequena entrevista com ela, que nos fala dentre outras coisas, da realização de encontros anuais na França e no Canadá e da organização dos grupos de WenDo pela Europa.

Por Mabel Dias


1) Como você conheceu o WenDo e em que ano foi?
Meu nome é Trude e eu conheci o WenDo no ano de 1980. Participei de uma oficina em uma casa onde tem sempre oficina para mulheres, no campo, perto da minha cidade, Köln, na Alemanha. É uma casa para estudos, férias, voltada para mulheres e nesta casa foi a primeira ou segunda vez que tive uma oficina de WenDo. Fui lá para aprender WenDo.

2) Há quanto tempo você ensina o WenDo?
Eu comecei a ensinar cinco anos depois que o conheci e comecei a treinar cinco anos depois da oficina que participei, que durou uma semana, e então com outras mulheres iniciamos com um grupo na minha cidade. Começamos a treinar auto organizadas, sem treinadora, comecei dois anos depois a treinar jiu jitsu e outras artes marciais, sempre buscando maneiras para oferecer às mulheres meios para elas se auto defender. Há 28 anos comecei com o WenDo e há 23 anos que ensino o WenDo.



3) O que significa o WenDo?
Para mim significa um método feminista, uma resposta e um enfrentamento das mulheres em relação à violência contra as mulheres, não é um conceito só físico, de defesa física, mas é um conceito feminista integral, que usa todas as maneiras como todas as mulheres podem se defender, não é só corpo nem só com golpes.



4) Qual o nome do grupo de vocês, fale sobre o trabalho desenvolvido pelo seu grupo na Alemanha com as mulheres de lá.
O nome do grupo é “Frau Schmitzz”, Frau, em alemão quer dizer “mulher” ou “senhora”, e Schmitzz, é um nome muito comum na região, e queríamos mostrar já com o nome, que o WenDo é para qualquer mulher, não tem que ser jovem, não tem que ser esportiva, pode ser qualquer mulher, de qualquer idade. Trabalhamos muito com meninas, a partir de 6 anos, fazemos cursos com diferentes tipos de mulheres, eu faço muito curso com mulheres imigrantes, falo alguns idiomas e então posso fazer cursos com mulheres que não falam alemão, fazemos cursos para mulheres que tem problemas físicos, qualquer mulher que não pode andar. Nosso grupo funciona desde 1988, eu e mais duas outras mulheres com muitas mais fizemos este grupo e até hoje ele existe, atualmente somos três. Nos encontramos uma vez no mês, antes era uma vez pela semana, e discutimos juntas os temas do WenDo e as vezes treinamos. Discutimos o conceito de WenDo e estamos sempre buscando colocar o WenDo mais próximo das mulheres que
precisam, e sempre nas oficinas de WenDo são dados os passos, o que eu aprendi nos anos 80 hoje é muito diferente do WenDo que eu ensino, tem muito a ver com o desenvolvimento que teve no movimento feminista, porque o WenDo está muito perto do movimento feminista, todas as treinadoras de WenDo na Europa são feministas, a maioria são lésbicas, e assim integramos no WenDo os temas que o movimento feminista discute. Um exemplo é que no final dos anos 80 o assunto de abuso sexual de meninas foi muito discutido dentro do movimento feminista e a partir daí integramos este assunto aos treinos, e no final dos anos 80 começamos a dar aulas a meninas, e sempre vemos o WenDo como uma prevenção contra o abuso sexual das meninas e uma maneira para as mulheres sobreviver a violência que elas sofreram na vida.



5) Porque o WenDo é apenas para as mulheres, gostaria que você explicasse isto e falasse da importância das mulheres se organizarem.

Para mim é muito claro porque o WenDo é para mulheres, não sei porquê há dúvidas. Na Alemanha, como aqui no Brasil, na maioria dos outros países do mundo, a mulher se encontra em uma situação de opressão e discriminação e por isto os homens podem usar violência contra ela, até matar a esposa se ela quer se separar, existem vários tipos de violência, discriminação no trabalho, estupro, abuso sexual. Hoje em dia na Alemanha, que é um país desenvolvido como muitos pensam, mas lá a mulher recebe ainda menos dinheiro que os homens, fazendo o mesmo trabalho. Em nosso país, assim como no Brasil, existe muita discriminação, as mulheres sofrem violência e é muito importante que elas se organizem para acabar com isto, eu vejo na Alemanha, como aqui que as mulheres conseguiram muitas coisas, mas ainda não é suficiente, este pensamento que já conseguimos muito e não precisamos mais do movimento feminista, não é verdadeiro, sobretudo na Alemanha vemos a situação das mulheres
imigrantes, e no Brasil se olharmos a situação da mulher negra, da trabalhadora, percebemos que temos que continuar lutando.

6) Conte como se dá a organização do WenDo na Alemanha e na Europa.

Temos uma estrutura boa. Tudo começou em 1979 quando as primeiras professoras de WenDo foram formadas lá na Alemanha, mulheres da França e da Bélgica, e de outros países, e lá as mulheres começaram a se encontrar uma vez no ano na França para aprender mais e trocar informações, para trocar idéias e depois começaram a realizar um encontro no sul da França, que é internacional. Em muitos outros países da Europa, como Suécia, Espanha, Suíça, e na Turquia, que não é na Europa, mas fica próximo, existem grupos de WenDo. O encontro lá na França demora três dias, a cada ano, acontece no final de agosto é um ponto de organização, de treinar muito também, na Alemanha a rede de treinadoras se encontra uma vez pelo ano também, e tem encontros entre mulheres de WenDo e artes marciais, tem uma estrutura boa, e procuramos nos manter auto organizadas. Até hoje o WenDo não é uma organização não-governamental (ONG), uma organização institucionalizada, tem grupos autônomos. Eu quero que o
WenDo fique sempre autônomo. Somos respeitadas por muitas instituições e na minha cidade até a policia quando as mulheres são violentadas pelos maridos, ou crianças, eles indicam, mandam a mulher, a menina, para nosso grupo, para fazer os treinos conosco, temos uma boa visibilidade e respeito.


7) Como vocês se organizam e como os grupos se mantêm na Europa?

Quando fazemos cursos recebemos dinheiro das instituições, às vezes das mulheres, às vezes uma mistura das duas coisas, somos bem remuneradas pelas instituições, mas também fazemos cursos onde nós recebemos pouco dinheiro em solidariedade com grupos de outras mulheres. Por exemplo, agora estou em João Pessoa treinando com vocês e não estou cobrando a vocês pela oficina que estou dando, sempre tem este lado onde podemos cobrar, cobramos, onde não podemos não cobramos ou cobramos menos, é uma maneira de termos renda para manter o nosso grupo. Quando nos encontramos e fazemos este trabalho de organização e de desenvolvimento, divulgação do WenDo, fazemos com nosso dinheiro, nosso trabalho, não recebemos nada de ninguém.


8) Como são pensados estes encontros que são realizados na França, Canadá e quantos já foram realizados?

Começou em 1979 e a cada ano tem um encontro no sul da França, há 28 anos estes encontros são realizados.
É sempre um grupo de alguma cidade participante do encontro, e agora o encontro é muito mais internacional, o grupo pega a responsabilidade para organização e o grupo vai lá e organiza e tudo isto é feito voluntariamente e sem ajuda financeira, as mulheres quando chegam ao encontro dão apenas uma contribuição, porque temos que pagar pelo acampamento, alimentação, e também tem mulheres que tem mais dinheiro e mulheres que não podem pagar e nenhuma mulher fica de fora se não pode pagar. As primeiras brasileiras, que são as mulheres do grupo de Salvador, que participaram deste encontro não precisaram pagar, foi um ato de solidariedade.


9) Percebo que o WenDo tem algumas características anarquistas, você concorda?

Sim. Eu penso que se você é radical feminista, você também tem ligações, características com o anarquismo, como a busca por autogestão, solidariedade, apoio mutuo, entre outros princípios que fazem parte do anarquismo.


10) Vocês já realizaram oficinas com prostitutas. Conte o que foi mais marcante nesta oficina.

Foi minha colega de grupo quem fez esta oficina, no meu caso posso falar de outras experiências que tive, e o mais marcante é quando chegam as meninas e as mulheres, às vezes são tímidas e quando saem do salão já tem outra expressão do corpo, de auto estima, acho isto muito legal do trabalho. E também com as vitimas de violência o WenDo trabalha com as experiências de violência que cada uma já teve, que é uma maneira de sobreviver, é uma maneira de se sentir melhor e de manter controle sobre a vida melhor que antes, é um lado muito importante do WenDo e também muito bonito, porque quando uma mulher sofre violência é sempre um trauma, ela perde o controle sobre a vida dela, sobre o corpo dela, e com o WenDo ela pode retomar este controle, isto muda muito, na minha vida e também na vida das mulheres, isto eu posso ver na expressão das mulheres, isto é muito lindo do WenDo.

11) E com as prostitutas, como foi?

Foi a Gabi quem fez a oficina junto com outra colega nossa, a Marsha, que hoje não está mais no grupo, elas trabalhavam juntas, porque quando são grupos grandes e que precisam de mais atenção trabalhamos em duas. A experiência foi muito boa, foi difícil porque estas mulheres eram usuárias de heroína, elas vieram algumas semanas, mas foi muito bom porque elas se sentiram mais fortes depois da oficina e as prostitutas são mulheres bem mais vulneráveis a violência, muitas vezes os homens não querem pagar, batem nelas, fazem coisas que elas não foram contratadas. Para elas foi muito legal para elas terem esta experiência e para nós também.


12) Qual o recado que você daria para as mulheres brasileiras, para as mulheres de um modo geral, para que elas saiam deste circulo de violência, que não é nada fácil, mas possível.

Que sempre tem caminho.

13) E o caminho pode ser o WenDo...

E o caminho pode ser o WenDo ou outra coisa, mas penso que sempre tem um caminho, às vezes não é fácil encontrar, mas se estamos de olhos abertos, tem um caminho.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Ciranda da Palavra

Vai ser no dia 26 de marco...comeca as 14h30 là no colegio Aplicacao e depois segue de role!
Clique no bonito cartaz abaixo para ampliar e ver a programacao, tà?
Nos vemos la, galeuris!
Sìtio Virtual da Ciranda: http://www.cirandadapalavra.wordpress.com
:: confira lá o texto da Beatriz Albino que ta bem bacana!! ::

sábado, 14 de março de 2009

Uma Serie: Un poquito de intervención en Latina!

1- ROMPE EL MOLDE (Chile)
http://www.rompeelmolde.tk/






quarta-feira, 11 de março de 2009

8 de Marco

Dispenco Essa Rosa!

por Marjorie Rodrigues

*Autoria: Marjorie Rodrigues <http://marjorierodrigues.wordpress.com/> /
Organização: Comunidade Feminismo e
Libertação<http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=26646467>/
Saiba
mais sobre a campanha. <http://pixelporpixel.wordpress.com/about/>*

dispense

Dia 8 de março seria um dia como qualquer outro, não fosse pela rosa e os parabéns. Toda mulher sabe como é. Ao chegar ao trabalho e dar bom dia aos colegas, algum deles vai soltar: ”parabéns”.

Por alguns segundos, a gente tenta entender por que raios estamos recebendo parabéns se não é nosso aniversário (exceção, claro, à minoria que, de fato, faz aniversário neste dia). Depois de ficar com cara de bestas, num estalo a gente se lembra da data, dá um sorriso amarelo e responde “obrigada”, pensando: “mas por que eu deveria receber parabéns por ser mulher?”.

Mais tarde, chega um funcionário distribuindo rosas. Novamente, sorriso amarelo e obrigada. É assim todos os anos. Quando não é no trabalho, é em alguma loja. Quando não é numa loja, é no supermercado. Todos os anos, todo 8 de março: é sempre a maldita rosa.

Dizem que a rosa simboliza a “feminilidade”, a delicadeza. É a mesma metáfora que usam para coibir nossa sexualidade — da supervalorização da virgindidade é que saiu o verbo “deflorar” (como se o homem, ao romper o hímen de uma mulher, arrancasse a flor do solo, tomando-a para si e condenando-a – afinal, depois de arrancada da terra, a flor está fadada à morte). É da metáfora da flor, portanto, que vem a idéia de que mulheres sexualmente ativas são “putas”, inferiores, menos respeitáveis.

A delicadeza da flor também é sua fraqueza. Qualquer movimento mais brusco lhe arranca as pétalas. Dizem o mesmo de nós: que somos o “sexo frágil” e que, por isso, devemos ser protegidas. Mas protegidas do quê? De quem? A julgar pelo número de estupros, precisamos de proteção contra os homens. Ah, mas os homens que estupram são psicopatas, dizem. São loucos. Não é com estes homens que nós namoramos e casamos, não é a eles que confiamos a tarefa de nos proteger. Mas, bem, segundo pesquisa Ibope/Instituto Patricia Galvão, 51% dos brasileiros dizem conhecer alguma mulher que é agredida por seu parceiro. No resto do mundo, em 40 a 70 por cento dos assassinatos de mulheres, o autor é o próprio marido ou companheiro.Este tipo de crime também aparece com frequência na mídia. No entanto, são tratados como crimes “passionais” – o que dá a errônea impressão de que homens e mulheres os cometem com a mesma frequência, já que a paixão é algo que acomete ambos os sexos. Tratam os homens autores destes crimes como “românticos” exagerados, príncipes encantados que foram longe demais. No entanto, são as mulheres as neuróticas nos filmes e novelas. São elas que “amam demais”, não os homens.

Mas a rosa também tem espinhos, o que a torna ainda mais simbólica dos mitos que o patriarcado atribuiu às mulheres. Somos ardilosas, traiçoeiras, manipuladoras, castradoras. Nós é que fomos nos meter com a serpente e tiramos o pobre Adão do paraíso (como se Eva lhe tivesse enfiado a maçã goela abaixo, como se ele não a tivesse comido de livre e espontânea vontade). Várias culturas têm a lenda da vagina dentata. Em Hollywood, as mulheres usam a “sedução” para prejudicar os homens e conseguir o que querem. Nos intervalos do canal Sony, os machos são de “respeito” e as mulheres têm “mentes perigosas”. A mensagem subliminar é: “cuidado, meninos, as mulheres são o capeta disfarçado”. E, foi com medo do capeta que a sociedade, ao longo dos séculos, prendeu as mulheres dentro de casa. Como se isso não fosse suficiente, limitaram seus movimentos com espartilhos, sapatos minúsculos (na China), saltos altos. Impediram-na que estudasse, que trabalhasse, que tivesse vida própria. Ela era uma propriedade do pai, depois do marido. Tinha sempre de estar sob a tutela de alguém, senão sua “mente perigosa” causaria coisas terríveis.

Mas dizem que a rosa serve para mostrar que, hoje, nos valorizam. Hoje, sim. Vivemos num mundo “pós-feminista” afinal. Todas essas discriminações acabaram! As mulheres votam e trabalham! Não há mais nada para conquistar! Será mesmo? Nos últimos anos, as diferenças salariais entre homens e mulheres (que seguem as mesmas profissões) têm crescido no Brasil, em vez de diminuir. Nos centros urbanos, onde a estrutura ocupacional é mais complexa, a disparidade tende a ser pior. Considerando que recebo menos para desempenhar o mesmo serviço, não parece irônico que o meu colega de trabalho me dê os parabéns por ser mulher?

Dizem que a rosa é um sinal de reconhecimento das nossas capacidades. Mas, no ranking de igualdade política do Fórum Econômico Mundial de 2008, o Brasil está em 10oº lugar entre 130 países. As mulheres têm 11% dos cargos ministeriais e 9% dos assentos no Congresso — onde, das 513 cadeiras, apenas 46 são ocupadas por elas. Do total de prefeitos eleitos no ano passado, apenas 9,08% são mulheres. E nós somos 52% da população.

A rosa também simboliza beleza. Ah, o sexo belo. Mas é só passar em frente a uma banca de revistas para descobrir que é exatamente o contrário. Você nunca está bonita o suficiente, bobinha. Não pode ser feliz enquanto não emagrecer. Não pode envelhecer. Não pode ter celulite (embora até bebês tenham furinhos na bunda). Você só terá valor quando for igual a uma modelo de 18 anos (as modelos têm 17 ou 18 anos até quando a propaganda é de creme rejuvenescedor…). Mas mesmo ela não é perfeita: tem de ser photoshopada. Sua pele é alterada a ponto de parecer de plástico: ela não tem espinhas nem estrias nem olheiras nem cicatrizes nem hematomas, nenhuma dessas coisas que a gente tem quando vive. Ela sorri, mas não tem linhas ao lado da boca. Faz cara de brava, mas sua testa não se franze. É magérrima (às vezes, anoréxica), mas não tem nenhum osso saltando. É a beleza impossível, mas você deve persegui-la mesmo assim, se quiser ser “feminina”. Porque, sim, feminilidade é isso: é “se cuidar”. Você não pode relaxar. Não pode se abandonar (em inglês, a expressão usada é exatamente esta: “let yourself go”). Usar uma porrada de cosméticos e fazer plásticas é a maneira (a única maneira, segundo os publicitários) de mostrar a si mesma e aos outros que você se ama. “Você se ama? Então corrija-se”. Por mais contraditória que pareça, é esta a mensagem.

Todo dia 8 de março, nos dão uma rosa como sinal de respeito. No entanto, a misoginia está em toda parte. Os anúncios e ensaios de moda glamurizam a violência contra a mulher. Nas propagandas de cerveja e programas humorísticos, as mulheres são bundas ambulantes, meros objetos sexuais. A pornografia mainstream (feita pela Hollywood pornô, uma indústira multibilionária) tem cada vez mais cenas de violência, estupro e simulação de atos sexuais feitos contra a vontade da mulher. Nos videogames, ganha pontos quem atropelar prostitutas.

Todo dia 8 de março, volto para casa e vejo um monte de mulheres com rosas vermelhas na mão, no metrô. É um sinal de cavalheirismo, dizem. Mas, no mesmo metrô, muitas mulheres são encoxadas todos os dias. Tanto que o Rio criou um vagão exclusivo para as mulheres, para que elas fujam de quem as assedia. Pois é, eles não punem os responsáveis. Acham difícil. Preferem isolar as vítimas. Enquanto não combatermos a idéia de que as mulheres que andam sozinhas por aí são “convidativas”, propriedade pública, isso nunca vai deixar de existir. Enquanto acharem que cantar uma mulher na rua é elogio , isso nunca vai deixar de existir. Atualmente, a propaganda da NET mostra um pinguim (?) dizendo “ê lá em casa” para uma enfermeira. Em outro comercial, o russo garoto-propaganda puxa três mulheres para perto de si, para que os telespectadores entendam que o “combo” da NET engloba três serviços. Aparentemente, temos de rir disso. Aparentemente, isso ajuda a vender TV por assinatura. Muito provavelmente, os publicitários criadores desta peça não sabem o que é andar pela rua sem ser interrompida por um completo desconhecido ameaçando “chupá-la todinha”.

Então, dá licença, mas eu dispenso esta rosa. Não preciso dela. Não a aceito. Não me sinto elogiada com ela. Não quero rosas. Eu quero igualdade de salários, mais representação política, mais respeito, menos violência e menos amarras. Eu quero, de fato, ser igual na sociedade. Eu quero, de fato, caminhar em direção a um mundo em que o feminismo não seja mais necessário.

…Enquanto isso não acontecer, meu querido, enfia esta rosa no dignissímo senhor seu cu.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

NO al veto de Tabaré!!!

*Depois de aprovado no senado e na câmera de deputadxs a lei que despenalizava o aborto no Uruguai foi vetada pelo presidente Tabaré Vázquez. Além de ter passado pelas duas instancias institucionais a questão da descriminalização passou por uma consulta de opinião popular, em que mais de 60% dxs consultadxs se posicionarão a favor da lei.. aí vem um presidente sem noção e subordina todo um processo a suas convicções pessoais.. Sr. presidente, o que meu corpo tem a ver com a m%$# da sua religião????????? Movimentos sociais estão se articulando e fizeram já algumas manifestações contra o veto.. Pra mais informações você pode conferir o Indymedia Uruguay: http://uruguay.indymedia.org/ - que foi da onde a gente tirou esse texto que segue e as fotos das primeiras marchas. Ou! Se você tiver algum texto, notícia melhor sobre o que rolou manda pra gente publicar aqui!!! ( gafe(a)lists.riseup.net ) Soliedariedade aos movimentos uruguaios! Que acabe a intervenção aleatória do Estado sobre nossos corpos!!!


Aunque el Presidente Tabaré Vázquez porfiadamente ha anunciado su intención de vetar la ley que despenaliza el aborto, debe tomar en cuenta la aprobación en las Cámaras y el 60% de apoyo popular.
El martes 11 de noviembre de 2008, el Senado uruguayo finalmente aprobó el Proyecto de Ley de Defensa de la Salud Sexual y Reproductiva, por 17 votos de un total de 30. El Poder Ejecutivo, a partir de esta aprobación, tiene 10 días para firmar la promulgación de la ley, o para vetarla.

Aunque el Presidente Tabaré Vázquez porfiadamente ha anunciado, incluso desde que asumiera el poder, su intención de vetar cualquier ley que intente despenalizar el aborto, el peso simbólico y real que implica su aprobación tanto en Diputados como en el Senado, más el abrumador apoyo ciudadano de más de un 60% a favor del proyecto, sin duda son elementos que debieran influir en un país que se reconoce respetuoso de la voluntad popular.

Y así debe entenderlo Tabaré Vázquez, ya que gobierna para todas las uruguayas y uruguayos, no para estar en paz con sus convicciones personales. Ni tampoco para escuchar las amenazas ni diatribas de las jerarquías eclesiásticas que atentan contra la plena vigencia del Estado laico.

Esta emblemática ley, cuya tramitación lleva ya largo tiempo, ofrece respuestas concretas y coherentes respecto de las demandas en salud sexual y reproductiva de mujeres y hombres, y hace visible la existencia de un territorio de derechos, de autonomías y de libertad, cual es el ámbito de la sexualidad y la reproducción. Y es así como aprueba la despenalización del aborto a demanda de la mujer, hasta las 12 semanas de gestación, reconociendo a las mujeres, sin distinción de clase social, como sujetas de derecho y como entes morales responsables de las decisiones que adoptan sobre su maternidad. Pero no solo habla sobre la interrupción voluntaria del embarazo, sino que establece una serie de medidas para garantizar la promoción y protección de la salud sexual y
reproductiva de todas y todos.

Uruguay se constituye, así, en un ejemplo de democracia, en un ejemplo de acción política impulsada por distintos sectores de la sociedad civil –mujeres, proveedores y profesionales de la salud, representantes de la academia, estudiantes, trabajadoras y trabajadores, sectores de iglesia de base, parlamentarias y parlamentarios, medios de comunicación– para la defensa y promoción de derechos que hasta ahora son muy difíciles de concretar en la vida cotidiana: los derechos humanos sexuales y reproductivos.
La Red de Salud de las Mujeres Latinoamericanas y del Caribe, RSMLAC, por lo tanto, se une al regocijo que recorre a esta región, a las mujeres y hombres que hoy celebran en las calles del Uruguay, y se une también a la decisión cada vez más fortalecida de las organizaciones de mujeres y personas que en otros países continúan luchando decididamente, incluso con riesgo de su integridad personal, por urgentes cambios legislativos y por políticas públicas que hagan posible una verdadera justicia social y de género.

A su vez, los movimientos de mujeres organizadas, apoyan esta lucha de las hermanas uruguayas y solicitan la adhesión de hombres y mujeres, organizaciones políticas y sociales, grupos de diversidad sexual, compañeros y compañeras que hagan suyos estos conceptos.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Aprovada descriminalização do aborto no Uruguai

*matéria publicada em: http://www.bonde.com.br/bonde.php?id_bonde=1-34-3-10-20081106

Após mais de doze horas de sessão, a Câmara dos Deputados do Uruguai aprovou, por 49 votos a 48, o projeto de lei que descriminaliza o aborto até a décima segunda semana de gravidez.

O texto ainda precisa ser aprovado pelo Senado. Se a lei chegar a ser realidade, o Uruguai será pioneiro da iniciativa na América do Sul, como contaram especialistas argentinos.

O presidente do país, Tabaré Vázquez, já disse que vetará o projeto, que surgiu de parlamentares da coalizão governista, Frente Ampla, que tem maioria na Câmara e no Senado.

Se Vázquez vetar a medida como promete, deputados e senadores precisarão de três quintos dos votos em cada casa legislativa para derrubar o veto e implementar a lei – número considerado hoje difícil.

Ameaça da Igreja

A chamada Lei de Saúde Sexual e Reprodutiva, que inclui a descriminalização do aborto, vem sendo defendida há pelo menos quatro anos por setores políticos e sociais no país.

Desta vez, pouco antes da votação na Câmara, o arcebispo da Igreja Católica em Montevidéu, Nicolás Cotugno, disse que iria "excomungar" os legisladores que votassem a favor da medida.

Manifestantes contra e a favor da medida realizaram protestos do lado de fora da Câmara, e uma ameaça de bomba obrigou que o prédio fosse evacuado.

O deputado e médico Luis Gallo, da Frente Ampla, disse à BBC Brasil que a lei que penaliza as mulheres que praticam o aborto tem 80 anos e prevê processo com prisão de entre três e seis anos.

"O Uruguai é o país da América Latina com maior número de mortes por aborto e o aborto é, ao mesmo tempo, a primeira causa de morte na gravidez no país", disse.

"Temos estimativas mostrando que ocorrem cerca de 33 mil abortos por ano no país. E que somente 0,04% desse total viram processo. Ou seja, a lei em si é uma tragédia e para que existe, se não é aplicada?"

Pioneiro

Em outros países da América do Sul, como Argentina, o aborto está previsto no código penal e só é permitido em casos de estupro ou em que a mãe corra risco de morte.

Tradicionalmente, o Uruguai é um pioneiro sul-americano na adoção de leis liberais na área social. O país foi o primeiro a permitir o divórcio e a separar a Igreja Católica do poder do Estado, que é laico.

No ano passado, o governo de Vázquez começou a implementar, como contou Gallo, a educação sexual nas escolas. Também foi aprovado nesta gestão o casamento entre homossexuais.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Um pouco de Lima Barreto*

(*)Os dois techos que seguem foram publicados em 1915 em "Vida Urbana". Lima Barreto nasceu em 1881 no Rio de Janeiro, foi jornalista e um dos mais importantes escritores brasileiros. Nas suas obras aparecem os pobres, boemios, arruinados, explorados e no caso dos dois trechos abaixo, as mulheres em duas situações em que seus direitos aparecem violados (criminalização do aborto e violencia de gênero). Crítico a roupagem alegórica da república, encarava a literatura como meio militante e o escritor como ator político. Seu estilo coloquial foi alvo de crítica dos parnasianos da época e inspitação para os escritores modernos. Lima Barreto tinha grandes afinidades com o pensamento anarquista e publicava seus textos na impresa de esquerda da época. Morreu em 1922 com 41 anos.


A LEI

Este caso da parteira merece sérias reflexões que tendem a interrogar sobre a serventia da lei.

Uma senhora, separada do marido, muito naturalmente quer conservar em sua companhia a filha; e muito naturalmente também não quer viver isolada e cede, por isto ou aquilo, a uma inclinação amorosa.

O caso se complica com uma gravidez e para que a lei, baseada em uma moral que já se findou, não lhe tire a filha, procura uma conhecida, sua amiga, a fim de provocar um aborto de forma a não se comprometer.

Vê-se bem que na intromissão da "curiosa" não houve nenhuma espécie de interesse subalterno, não foi questão de dinheiro. O que houve foi simplesmente camaradagem, amizade, vontade de servir a uma amiga, de livrá-la de uma ter­rível situação.

Aos olhos de todos, é um ato digno, porque, mais do que o amor, a amizade se impõe.

Acontece que a sua intervenção foi desastrosa e lá vem a lei, os regulamentos, a polícia, os inquéritos, os peritos, a faculdade e berram: você é uma criminosa! você quis impe­dir que nascesse mais um homem para aborrecer-se com a vida!

Berram e levam a pobre mulher para os autos, para a justiça, para a chicana, para os depoimentos, para essa via-sacra da justiça, que talvez o próprio Cristo não percorresse com resignação.

A parteira, mulher humilde, temerosa das leis, que não conhecia, amedrontada com a prisão, onde nunca esperava parar, mata-se.

Reflitamos, agora; não é estúpida a lei que, para proteger uma vida provável, sacrifica duas? Sim, duas porque a ou­tra procurou a morte para que a lei não lhe tirasse a filha. De que vale a lei?


NÃO AS MATEM

Esse rapaz que, em Deodoro, quis matar a ex-noiva e suicidou-se em seguida, é um sintoma da revivescência de um sentimento que parecia ter morrido no coração dos homens: o domínio, quand même, sobre a mulher.

O caso não é único. Não há muito tempo, em dias de carnaval, um rapaz atirou sobre a ex-noiva, lá pelas bandas do Estácio, matando-se em seguida. A moça com a bala na espinha, veio morrer, dias após, entre sofrimentos atrozes.

Um outro, também, pelo carnaval, ali pelas bandas do ex-futuro Hotel Monumental, que substituiu com montões de pedras o vetusto Convento da Ajuda, alvejou a sua ex-noiva e matou-a.

Todos esses senhores parece que não sabem o que é a vontade dos outros.

Eles se julgam com o direito de impor o seu amor ou o seu desejo a quem não os quer. Não sei se se julgam muito diferentes dos ladrões à mão armada; mas o certo é que estes não nos arrebatam senão o dinheiro, enquanto esses tais noivos assassinos querem tudo que é de mais sagrado em outro ente, de pistola na mão.

O ladrão ainda nos deixa com vida, se lhe passamos o dinheiro; os tais passionais, porém, nem estabelecem a alternativa: a bolsa ou a vida. Eles, não; matam logo.

Nós já tínhamos os maridos que matavam as esposas adúlteras; agora temos os noivos que matam as ex-noivas.

De resto, semelhantes cidadãos são idiotas. É de supor que, quem quer casar, deseje que a sua futura mulher venha para o tálamo conjugal com a máxima liberdade, com a melhor boa-vontade, sem coação de espécie alguma, com ardor até, com ânsia e grandes desejos; como e então que se castigam as moças que confessam não sentir mais pelos namorados amor ou coisa equivalente?

Todas as considerações que se possam fazer, tendentes a convencer os homens de que eles não têm sobre as mulheres domínio outro que não aquele que venha da afeição, não devem ser desprezadas.

Esse obsoleto domínio à valentona, do homem sobre a mulher, é coisa tão horrorosa, que enche de indignação.

O esquecimento de que elas são, como todos nós, sujeitas, a influências várias que fazem flutuar as suas inclinações, as suas amizades, os seus gostos, os seus amores, é coisa tão estúpida, que, só entre selvagens deve ter existido.

Todos os experimentadores e observadores dos fatos morais têm mostrado a inanidade de generalizar a eternidade do amor.

Pode existir, existe, mas, excepcionalmente; e exigi-la nas leis ou a cano de revólver, é um absurdo tão grande como querer impedir que o sol varie a hora do seu nascimento.

Deixem as mulheres amar à vontade.

Não as matem, pelo amor de Deus!